Lubrificação no kart

Entendendo os detalhes e o que vale a pena

Passamos algum tempo conversando com nossa equipe de profissionais sobre dicas importantes para nossos pilotos e amantes de kart em geral e acho que um bom começo seria falando de um assunto que para muitos segue uma ‘regrinha básica’, mas que de perto é bem mais complexo e pode custar não só décimos de tempo preciosos, mas também representar uma grande diferença no seu orçamento. Estamos falando da lubrificação de motores para kart.

Para isso, resolvemos dividir o assunto em duas fases: para os motores dois tempos e motores quatro tempos. Mas antes, acho importante explicar: o que seria dois tempos e quatro tempos? A resposta é simples e será dissecada com detalhes: Todo motor inicia seu ciclo pela admissão e termina pelo escape. A admissão do se dá quando o motor recebe a mistura de ar e combustível e o escape ocorre após a explosão dentro dos pistões, jogando o resultado da explosão para fora pelos canos. Sendo assim, um motor de dois tempos só tem duas fases para todo este ciclo: compressão e expansão. O motor recebe o conteúdo da mistura, na mesma ação que já faz a explosão (gira o virabrequim) e já o expele. Já o motor quatro tempos é dividido entre admissão, compressão, explosão e exaustão. O motor recebe o conteúdo (mistura ar e combustível), comprime os gases (através dos pistões), efetua a explosão (gira o virabrequim) e em seguida expele o conteúdo da mistura.
Complicado né? Tecnicamente, todas as fases do ciclo quatro tempos também ocorrem no ciclo dois tempos, mas de forma muito mais lenta e de forma mais eficaz.

DSC_1832Foto Divulgação: V11Kart

Motores 2 tempos: quem disse que é só misturar???
Se você é um piloto experiente ou é daqueles que apenas gostam de dar suas voltinhas nos finais de semana, certamente deve seguir a famosa regrinha dos 20:1 (vinte partes de combustível para uma de lubrificante) e é bom que saiba que esta lógica nem sempre é certeza de que seu motor está bem lubrificado.

Começando pelo começo…
Comecemos explicando como funciona a lubrificação neste tipo de motor: devido às suas dimensões compactas, o motor 2 tempos utiliza a lubrificação no próprio combustível. Este mesmo raciocínio é utilizado até mesmo em algumas motocicletas, veículos e até outros esportes a motor, especialmente por possibilitar a utilização de motores mais compactos, uma vez que não se tem um cárter para armazenar o óleo. Aliás, um dos grandes problemas do motor dois tempos é que os gases são nitidamente mal aproveitados e acabam jogando muita poluição na atmosfera.

Colocando em miúdos, no ato em que o motor efetua a explosão da mistura ar X combustível, a lubrificação é espalhada no cilindro de forma uniforme e mantém ‘azeitada’ a máquina durante cada ciclo de rotação. Mas esta regrinha não é tão lógica se quem está acelerando se esquece da famosa mistura do carburador (as chamadas agulhas). Motor muito encharcado de óleo não gera uma queima adequada, ou seja: a potência não é despejada como deveria no virabrequim e consequentemente o tempo não vem. Por outro lado, motor muito fino (agulhas fechadas demais) deixa o motor com pouca lubrificação e a quebra é questão de tempo.
Ainda sim, se você consegue ‘agulhar’ com maestria sua máquina, também deve se lembrar que o lubrificante utilizado é essencial durante o uso do motor. Na Europa (onde se concebeu a maioria dos nossos motores), são raros os casos de competições que utilizam o álcool como combustível. A vantagem disso é que a gasolina também possui uma pequena quantidade de lubrificante e expele melhor as impurezas do ar/óleo/combustível. Nós, brasileiros usamos o álcool por diversos motivos, mas especialmente por efetuar a queima numa temperatura muito menor (lembre-se: quanto menor a temperatura, menor o risco de quebra) e claro, por ser um produto genuinamente brasileiro. Este hábito se difundiu especialmente nos anos 80, onde o álcool representava a nova indústria brasileira e para muitos foi um marco para o país.

Bom… mas e o óleo?
Já falamos muito, mas não falamos sobre o essencial: o óleo. Infelizmente, o mercado de lubrificantes para kart em terras brasileiras é bastante restrito. Produtos produzidos na Europa têm preço bastante restritivo e não são utilizados em eventos nacionais e por motivos inexplicáveis não possuem uma penetração em todo tipo de competição (a exemplo de outros itens para o kartismo). Porém, no mercado nacional já existem alguns produtos bastante difundidos e outros novos sendo desenvolvidos especificamente para kart e que podem fazer frente aos concorrentes gringos.

O que vale lembrar neste caso é que o lubrificante deve sempre possuir uma queima limpa, fazendo essencialmente o seu papel que é deixar o cilindro e partes internas sempre lubrificadas durante o atrito. Afinal, num motor dois tempos é fácil beirar os 19.000 RPM! Já imaginou se o seu lubrificante não faz o seu papel adequadamente? Já pensou se durante aquela ultrapassagem na última volta seu motor trava graças à sujeira acumulada no anel do pistão?

DSC_2256Foto Divulgação: V11Kart

Nesse bate papo nossa equipe de mecânicos tentou explicar de forma simples o que acontece no ato da lubrificação: “O óleo tem como sua função principal a lubrificação do motor, mas esta lubrificação depende de uma série de produtos químicos (aditivos, detergentes, etc.) que ajudam a dispersar a lubrificação por todo o motor e especialmente ajudam a dispersar as cinzas para reduzir a possibilidade de quebra. Estes óleos podem ser de origem vegetal, mineral, sintética ou semi-sintética.” explica o fabricante.

Eles também explicaram sobre um dado muito importante: “Os lubrificantes europeus não tiveram muito sucesso aqui no Brasil, pois não conseguem se misturar devidamente ao etanol (álcool) justamente por serem desenvolvidos especificamente para a gasolina, e gasolina de qualidade, não o nosso famoso gaso-alcool. O resultado disso todo mundo sabe que é a quebra.”
E o preço, hein?

O preço de lubrificantes para dois tempos sempre foi absurdo, mas isso se explica por um fator simples: “o que torna os lubrificantes caros são os aditivos que fazem a eficácia do óleo. Portanto, óleo barato demais certamente não possui em sua fórmula os aditivos necessários para que ocorra a mistura ou a ligação do óleo com o álcool.” 

Entre os preparadores existe uma máxima: se as peças internas do motor começam a ter um aspecto azulado, pode jogar tudo fora. Isso ocorre justamente pela falta de lubrificação aliada à altíssima temperatura do atrito do motor, que acaba causando uma expansão do material e torna a quebra iminente.

Então…
Fica a dica: não é só a famosa regrinha dos 20:1 que vale. Lembre-se que a correta lubrificação do seu motor depende também de um lubrificante eficaz, que faça o papel de lubrificação, redução de atrito e que não acumule detritos no interior do motor e obviamente mantenha a temperatura dentro da câmara de combustão estável, sem picos. Ahhh claro: uma mistura ar X combustível eficiente é essencial, mas este assunto fica pra uma próxima oportunidade, onde abordaremos uma série de ‘macetes’…

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